DAR PALAVRAS
Procuro Leitor para navegação séria. (Sem amarras.) Dei Palavras na Rua de 8/03/2013 a 10/01/2017. Hoje respiro. Só. Andreia Azevedo Moreira
sexta-feira, 8 de maio de 2026
quinta-feira, 7 de maio de 2026
segunda-feira, 4 de maio de 2026
sábado, 2 de maio de 2026
quinta-feira, 30 de abril de 2026
Luís Carmelo (25-08-1954 - 30-04-2023)
Saudade e amor: eternos, enquanto respirar. Depois, quem sabe se não poderemos rir lá de outra dimensão. Partilhando de novo a centelha cósmica que um dia nos cruzou os caminhos que, invento agora, estavam floridos de buganvílias. Ainda não me libertei do luto. Não pude fazê-lo integralmente. Fui atropelada pelo que a vida e a morte ainda me tinham guardado para o ano seguinte. Por isso, enquanto tiver de chorar, chorarei, até que fiquem só os sorrisos e a ternura que a tua memória convoca. Querido Luís.
quarta-feira, 29 de abril de 2026
"Como caminhar num pântano"
Como caminhamos pelos dias, conhecedores do facto de sermos mortais?
Como caminharíamos pelos dias se uma
doença nos impusesse um prazo (aparentemente) mais curto?
(Ninguém sabe, na verdade, quando
partirá desta para a incógnita, com ou sem doença.)
Cada um de nós, se não andar
distraído, tem a perfeita noção de como anda a gastar o tempo, essa riqueza
maior.
A narradora deste livro é
implacável a obrigar-nos a encarar o que andamos a fazer. Nós, pessoalmente, na
vidinha, nós parte de uma humanidade adoecida.
No seu flagelo particular, ao
longo do ciclo de tratamentos, durante o qual escolhe, consciente, a solidão e
o silêncio, puxou-me pelo cabelo, pelo cachaço, até, e firme (fazendo doer, um
pouco bruta) foi-me empurrando para que eu visse com ela o que há, universal, o que somos,
aquilo que fazemos: hoje. Há milénios.
Escreve o que dói, o que tem
graça, o que devasta e o que dá esperança, enfim, o que nos compõe e
desconcerta a existência. Escreve o amor que somos e o que nos falta.
Atenta, corrosiva, cheia de
sentido de humor, irónica, sedenta de conhecer, de aprender, de aproveitar
todas as possibilidades que a vida a que tivemos direito nos oferece. Doente,
não morta. Cansada, não sem vontade. Desiludida, não descrente. Entre a devastação
e a esperança caminha indomável, pelo pântano da doença que parece capaz de engoli-la
sem, no entanto, tolhê-la, concretamente.
A Marta Pais Oliveira é uma
escritora prodigiosa. O jogo entre a primeira e a terceira pessoa entre as quais
a personagem balança é brilhante. A multiplicidade de propostas encadeadas na narrativa encantam, espicaçam, provocam. Tantos detalhes que me fizeram pensar. Quanto
pensamento encerra a escrita da Marta. Quantas reflexões muito bem urdidas.
Cantos dobrados. Frases
sublinhadas. Um livro maior.
À página 53 a narradora diz: odeio histórias mal contadas.
Esta está tão bem contada que uma pessoa se curva humilde.
Há livros que tomo como manuais de sobrevivência. São para
reler e para ficar na estante dos incontornáveis.
Este é um desses. Recomendo a sua leitura de ora em vez,
como quem faz um check-up ao íntimo, às entranhas, aos passos que
escolhe dar neste planeta.
Adoro ler escritores admiráveis que se revelam pessoas de coração compassivo.
Assim te encaro e também por isso te admiro.
Parabéns, querida Marta!
terça-feira, 28 de abril de 2026
A IA será capaz de nos substituir, sim, se aprender, também, o que é ter alma. Aprenderás?
segunda-feira, 27 de abril de 2026
Dar palavras de terceiros
sábado, 25 de abril de 2026
sexta-feira, 24 de abril de 2026
quinta-feira, 23 de abril de 2026
"Como caminhar num pântano"
Eu tenho mil amores... ta ra rã. Que em nada são iguais... ta ra rã. E não preciso de ter a certeza, ta ra rã, de qual eu gosto mais, ta ra rã. Porque todos têm sido vi ta a a a aaaaaais! Lai lai lai lai lai lai lai. A mim os livros salvaram, sim. Não tivessem chegado à minha vida e possivelmente não estaria aqui. Não como estou, pelo menos. Hoje, o meu amigo @paulokellerman está de parabéns literários! 30 anos a ser Quixotesco. É obra e é belo! Viva! A celebração vai ser na @arquivolivraria pelas 18h30.
quarta-feira, 22 de abril de 2026
A vida de um homem que perseguia poemas
A @joanamlopesautora é uma grande escritora. Escreve prosa como quem faz poemas com as suas mãos artísticas que, além das palavras, manejam outras artes. "O homem que perseguia poemas" é em si mesmo um longo poema-livro para onde fui levada a conhecer personagens ricas, densas, fulgurantes. Do horror e da violência a Joana arranca a beleza com uma mestria impressionante. Um avô abusador que se transforma em toupeira; uma avó que leva flores dentro de si; um varredor de ruas invisível que recorda a sua história de amor e dor com eles, para poder voltar a si mesmo; a loucura que se instala com as perdas múltiplas que a vida lhe trouxe. O suicídio da mãe. A sexualidade reprimida pela brutalidade do avô. Um pai que nunca se fez presente. O amor em permanente incompletude. Há tristeza, redenção e perguntas. Muitas perguntas, existencialistas, importantes, provocatórias. Sem vulnerabilidade não acedemos à cura. Merece ser lido e relido. Parabéns, Joana! É um grande livro.





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