sábado, 20 de junho de 2026

Unidos, unidos: mais dificilmente seremos vencidos

Comovi-me com as palmas no parlamento.

O pacote laboral inenarrável proposto pelo PSD caiu.

Por enquanto, a classe trabalhadora continua dentro do possível protegida.

O Ventura mostrou mais uma vez quem é. 

O Montenegro que amargue ter-se contradito no NÃO É NÃO, mentindo aos seus eleitores.

Que os que votaram nestas pessoas acordem.

Que em vez de divulgarem a lista dos ameaçados, divulguem a lista e os rostos dos violentos.

Que a vergonha mude de lado.

Que o povo se mantenha unido.

Como disse Lídia Jorge (e atenção que embirro quando pessoas se socorrem das citações dos ilustres): "calcem as galochas, vamos atravessar a lama."

Por hoje, deleito-me na comoção desta vitória da nossa voz.



segunda-feira, 15 de junho de 2026

quinta-feira, 11 de junho de 2026






Há um tema, para mim, actualmente. Comum a todos estes títulos. 


Há dois projectos literários que me interessam profundamente, hoje em dia. Estão em destaque nestas fotografias. 

Há vida a romper em todo o lado e esperança quando as pessoas se juntam. Abençoada hora em que cheguei atrasada ao que me tinha proposto fazer e desse modo pude assistir ao que os quatro disseram na apresentação do Hoje, 3 de Maio da Patrícia Portela. 

Já  a tinha na mira leitora há muito.  Mas este é o meu primeiro Patrícia Portela.

De muitos, estou certa.

Balancei não vir aqui este ano, mas ainda bem que o fiz.







E "agora", teatro.










quarta-feira, 3 de junho de 2026

"Hoje acordei assim..."

(Como diria no seu blogue a Carla Quevedo, a bomba inteligente)

Faz-me espécie que pessoas em lugar de privilégio tenham mais medo das chefias hoje, do que mais tarde, tratando-se do prenúncio de um pacote laboral que dirá respeito, mais tarde ou mais cedo,  a todos. Ou seja, se é para tentar impedir que vá para a frente, pois que seja agora. Ainda que não nos chegue, aos privilegiados, algum dia, a morder os calcanhares, não somos ilhas. Se queremos sê-lo que vamos para um lugar remoto e isolado, morrer sozinhos. Se, pelo contrário, é em sociedade que escolhemos viver, não me parece saudável, solidário, harmonioso,justo, igualitário, fraterno, viver numa estrutura social em que pessoas que, já são as que trabalham em condições mais duras, possam ser ainda mais sacrificadas, coagidas, continuando pobres, oprimidas, asfixiadas por um sistema injusto, sem aspirar a nada mais do que cansaço extremo e nenhum tempo ou energia para a família/amigos/a fazer o que lhes der na gana. Trabalho num lugar, no geral, bom. Não tenho, no geral, razões de queixa. Se quisesse meter um dia de férias junto ao feriado (recordo que, nesse caso, remunerado) metia. Faço greve porque não concordo com o ante-projecto do pacote laboral XXI, o qual me dei ao trabalho de ler no que respeita às principais alterações. Faço greve, pelos que não podem mesmo confrontar a hierarquia com o seu desacordo, ou com os que simplesmente não podem abdicar de um dia de vencimento, tal é a carência em que sobrevivem. Sou só uma ou integro a minoria? Paciência.  Faço o que posso. Se não agora, antes de aquilo ser aprovado, quando? Quando o mal estiver feito, não nos queixemos que, afinal, devíamos ter feito greve. Que, afinal, já afectou o umbiguinho, quando antes nos estávamos a marimbar para os que mais sofrerão com as medidas, por enquanto, alheios às nossas existências egocêntricas. O tempo de agir é agora. O povo unido muito mais dificilmente é vencido. Se continuarmos a agir individualmente desconsiderando o conjunto, estamos mal fodidos.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

O EXTERIOR DO INTERIOR


Já fui rápida a condenar. Tempos houve em que analisava as situações à luz da minha enorme ignorância e realidade pouco vivida. Se há uma capacidade maravilhosa de que os livros e a literatura me dotaram é a de aprender a descalçar-me e a meter os pés nus, desarmados, nos sapatos dos outros. Quando nascemos no privilégio, há uma incapacidade inata de ver para além do próprio umbigo. A tentativa de alcançarmos o outro, quem quer que seja, com compaixão, é um dever de cada indivíduo que pretenda ser animal racional, que almeje ser humano. Há projectos para os quais escrevo que são mais especiais do que outros. São, principalmente, aqueles em que escrevo para lá de mim, da cura que busco, das dores que exorcizo em meu proveito. São aqueles em que quem me inspira é o mais importante. É o caso de «O exterior do interior» onde, graças ao @paulo.kellerman (Claro! Quem mais?) pude aceder a 33 pontos de vista de 33 jovens reclusos sobre os espaços exteriores da prisão que temporariamente habitaram. Estive ao lado deles (Um dos poderes mágicos da arte: unir pessoas de espaços e tempos diferentes, conseguindo que se sintam, vejam, cheguem a um entendimento, sem nunca se chegarem a encontrar olhos-nos-olhos), de máquina fotográfica nas mãos, vendo através dos seus olhos a beleza que havia em tudo quanto os rodeava: nos objectos, na aridez, nas pedras, na vida mesmo se vai torta, porque a havia no olhar de quem viu o que me foi mostrado nos instantâneos que estão no livro. Encontrei motivos para escrever as 33 fotografias e quis abarcá-las, a todas. Talvez tenha falhado como escritora (menos é mais, menos é mais, menos é mais!) na canção imperfeita para batidas interiores que escrevi, mas não deixo de me alegrar por tê-la feito desequilibrada, sem métrica, como somos e estamos em tantos momentos do caminho. Foi composta de palavras comovidas, notas de melodias universais, de quem já percebeu há algum tempo, graças às histórias que leu em centenas de livros e aos anos de construção que leva no lombo, que toda a gente merece ser vista, uma segunda oportunidade (ou mais), receber atenção e amor. Obrigada, por esta experiência avassaladora, a todos os envolvidos. Cheguei a casa num misto de devastação e (ainda mais) esperança. 13 de Maio de 2026.











quarta-feira, 13 de maio de 2026

Os Memoráveis



Têm muito valor os que aceitam a invisibilidade. Neste livro, esta escritora que eu amo escreve sobre a coragem de que 5000 homens do MFA se investiram para nos libertarem a todos. Mesmo aqueles que maldizem o dia mais feliz das nossas vidas. Eu que não era nascida e vim para aprender a ser livre sei que 25 de Abril de 1974 é o dia mais feliz da minha vida, graças ao qual pude escolher o meu caminho e viver outros dias felizes e vitais na minha existência. Numa ficção sobre a efeméride dos 30 anos daquela madrugada-sortilégio, Lídia Jorge aviva-nos a memória, enquanto nos estende várias perspectivas sobre a revolução dos cravos. Com a ficção aprendemos muito sobre a realidade. Faz-nos pensar as metáforas, abrir o horizonte e as possibilidades. Um livro que faz jus aos memoráveis. Um volume que ficará para reacender a memória dos vindouros: a revolução continua e a luta pela liberdade também, em cada escolha e em cada passo que damos sobre este planeta ainda verde e azul.